{"id":14578,"date":"2024-04-19T20:34:57","date_gmt":"2024-04-19T20:34:57","guid":{"rendered":"https:\/\/cabo-verde.cv\/rabelados-uma-comunidade-que-resiste-as-mudancas-da-modernidade\/"},"modified":"2024-04-19T20:34:57","modified_gmt":"2024-04-19T20:34:57","slug":"rabelados-uma-comunidade-que-resiste-as-mudancas-da-modernidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/rabelados-uma-comunidade-que-resiste-as-mudancas-da-modernidade\/","title":{"rendered":"Rabelados: uma comunidade que resiste \u00e0s mudan\u00e7as da modernidade"},"content":{"rendered":"<p>Os Rabelados de Espinho Branco s\u00e3o uma comunidade religiosa e cultural \u00fanica que vive na localidade de Espinho Branco, no concelho de S\u00e3o Miguel, na ilha de Santiago. A sua hist\u00f3ria e as suas interessantes tradi\u00e7\u00f5es atraem a aten\u00e7\u00e3o de muitos, tornando-os um importante patrim\u00f3nio cultural do pa\u00eds. <\/p>\n<p>A palavra Rabelados significa literalmente \u201crebelde\u201d e surgiu na d\u00e9cada de 1940 como resultado de um cisma na Igreja Cat\u00f3lica local. Insatisfeitos com as mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas religiosas tradicionais, um grupo de pessoas separou-se da igreja oficial e fundou a sua pr\u00f3pria comunidade com uma fidelidade cat\u00f3lica \u00fanica. <\/p>\n<p>Liderados por Jos\u00e9 Leit\u00e3o, conhecido por \u201cNho Ton\u00e9\u201d, os Rabelados fixaram-se em Espinho Branco, procurando preservar as suas cren\u00e7as e modo de vida aut\u00f3nomo. Estas cren\u00e7as baseavam-se numa interpreta\u00e7\u00e3o singular da B\u00edblia, combinando elementos do catolicismo com tradi\u00e7\u00f5es do continente e cren\u00e7as populares. <\/p>\n<p>Adoram um s\u00f3 Deus e reverenciam Jesus Cristo, mas recusam certas pr\u00e1ticas da Igreja Cat\u00f3lica, como o batismo infantil e o uso de imagens religiosas.<\/p>\n<p><strong>Modo de vida tradicional<\/strong><br \/>\nA vida na comunidade de Espinho Branco \u00e9 marcada pela simplicidade e por um forte sentido de comunidade. Os Rabelados vivem essencialmente da agricultura e da pesca, utilizando t\u00e9cnicas tradicionais e sustent\u00e1veis. A comunidade \u00e9 tamb\u00e9m conhecida pelo seu artesanato, com destaque para a produ\u00e7\u00e3o de objectos em palha e madeira.  <\/p>\n<p>A comunidade de Rabelados vive do seu artesanato, nomeadamente da pintura e do artesanato, desde 1997. E ao longo do tempo, com a ajuda e orienta\u00e7\u00e3o da artista Miz\u00e1, foi criado o espa\u00e7o Rabelart, onde os criadores da comunidade exp\u00f5em e vendem os seus trabalhos aos turistas e locais que os visitam. <\/p>\n<p>No que respeita \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das suas casas, as habita\u00e7\u00f5es dos Rabelados s\u00e3o constru\u00eddas com materiais simples como o barro, a pedra e a palha. A vida social gira em torno da igreja e das actividades comunit\u00e1rias, como as festas religiosas, o trabalho agr\u00edcola coletivo e as celebra\u00e7\u00f5es tradicionais. A m\u00fasica e a dan\u00e7a tamb\u00e9m desempenham um papel importante na cultura dos Rabelados.  <\/p>\n<p><strong>Desafios e Preserva\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAo longo dos anos, a comunidade de Rabelados de Espinho Branco tem enfrentado v\u00e1rios desafios, como a discrimina\u00e7\u00e3o e as dificuldades de acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos. Apesar das adversidades, a comunidade tem-se esfor\u00e7ado por se manter fiel \u00e0s suas tradi\u00e7\u00f5es e valores, preservando a sua identidade \u00fanica. <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos tem havido um interesse crescente em conhecer e preservar a cultura dos Rabelados, incluindo v\u00e1rios projectos que visam promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel da comunidade e assim valorizar este patrim\u00f3nio cultural \u2013 a comunidade dos Rabelados \u2013 de forma a refor\u00e7ar a sua identidade.<\/p>\n<p>De referir ainda que o turismo tamb\u00e9m tem contribu\u00eddo para a promo\u00e7\u00e3o da cultura rabelense, atraindo visitantes interessados em conhecer esta comunidade \u00fanica.<\/p>\n<p>Hoje, a comunidade dos Rabelados conta com cerca de mil pessoas e, com o crescimento do n\u00famero de jovens, muitos deles optaram por n\u00e3o seguir as tradi\u00e7\u00f5es do Rabeladismo, aceitando o batismo e o casamento cat\u00f3lico, bem como optando por construir casas de cimento em vez do tradicional funco de palha.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s habita\u00e7\u00f5es tradicionais, \u00e9 de referir que a falta de materiais para fazer casas de brincar tem sido uma das raz\u00f5es pelas quais os jovens preferem fazer casas mais modernas, e que a palha da cana-de-a\u00e7\u00facar, que \u00e9 um dos materiais utilizados para construir casas, \u00e9 agora utilizada para alimentar animais.<\/p>\n<p>Relativamente a estas mudan\u00e7as, importa tamb\u00e9m referir que existe atualmente uma procura de cuidados m\u00e9dicos por parte dos jovens, bem como a sua presen\u00e7a no sistema de ensino. Embora seja raro, alguns chegam mesmo a frequentar o ensino superior, levando uma vida diferente da dos seus antepassados. <\/p>\n<p>Com todas estas novidades, o l\u00edder dos rebeldes de Espinho Branco, Jos\u00e9 Carlos Tavares, mais conhecido por T\u00f3, e alguns artistas, temem que as tradi\u00e7\u00f5es se percam \u00e0 medida que a comunidade v\u00ea e absorve as influ\u00eancias externas, abra\u00e7ando gradualmente a mudan\u00e7a e deixando para tr\u00e1s as velhas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Recorde-se que, em meados de mar\u00e7o deste ano, um inc\u00eandio devastou a comunidade de Rabelados, resultando na perda de casas de sete fam\u00edlias e na destrui\u00e7\u00e3o do pasto utilizado pelos criadores de gado locais. Por isso, o presidente da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Miguel mostrou-se dispon\u00edvel para ajudar a comunidade no que for poss\u00edvel e, nas redes sociais, algumas pessoas sensibilizadas com a situa\u00e7\u00e3o organizaram campanhas de angaria\u00e7\u00e3o de fundos para ajudar esta comunidade, que existe h\u00e1 mais de 70 anos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rabelados: o ref\u00fagio cabo-verdiano da modernidade.<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":10616,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1294],"tags":[1543,1545],"class_list":["post-14578","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-pt-pt-2","tag-rabelados-catolicismounico-pt-pt","tag-tradicao-pt-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14578\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cabo-verde.cv\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}